Uma calorosa e produtiva discussão teve lugar no facebook.
Argumentos não nos faltam. Os profissionais, sobretudo os da enfermagem, que lidam mais cotidianamente e SOFREM quando são levados a conter um doente, usam os argumentos que lhe veem à mão. Correto. Mas, se pararmos de fato para pensar a prática das mãos livres não se justifica, senão no extremo da ameaça à vida em surtos psicóticos com extrema agressividade.
Usei os meus argumentos e agora reproduzo:
- 1. A contençao, por resolução do próprio COFEN está indicada APENAS nos casos de surtos psiquiátricos, COM GRAVE AMEAÇA À INTEGRIDADE DA PESSOA E DOS PROFISSIONAIS. Muito claro. Mesmo assim, exige a presença de 5 profissionais, avaliação a cada hora, acompanhamento contínuo por um profissional de enfermagem e menor duração possível. Ver: http://www.coren-df.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=688:parecer-de-relatora-no-0322009&catid=38:pareceres&Itemid=73 e http://www.fcmscsp.edu.br/ead/educasus/evento.php?eve_id=61
- 2. Não. Este não caso de que tanto falamos. Pacientes idosos e sequelados que por sua fragilidade não se defendem de sintomas incomodantes e de AÇÕES inadequadas impostas pelos profisssionais de saúde, são contidos, ferindo o que podem ter de mais rico: sua dignidade e sua história de vida.
3. As tais sondas nasoentéricas não são uma obrigatoriedade e nem um tratamento imprescindível: não resolvem a caquexia, não diminuem o risco de broncoaspiração e perdem sua indicação no final da vida porque parar de comer é absolutamente fisiológico nesta condição. Comer pouco também. Aquilo que o doente, alimentado com paciência, consegue ingerir é suficiente para o catabolismo natural em que ele vive. Afinal, deveríamos mesmo morrer naturalmente nesta hora. É a fisiologia e a história natural do ser humano. As sondas são incômodas não apenas na hora da passagem. Mas, todo o tempo do seu uso, com algumas exceções.
4. A questão de ser ou não alimentado artificialmente depois de perder a capacidade para tal (o que significa muitas vezes a proximidade da morte) é uma questão para outro forum mais complexo, o da DIRETIVA ANTECIPADA DE VONTADE. Desejo de cada um, que ninguém pergunta ou respeita. Somos por demais autoritários na hora de impor uma conduta.
5. Para quem tem clara indicação de ser alimentado artificialmente ou o deseja, a Gastrostomia percutânea é alternativa mais respeitosa, embora não mais segura em termos de broncoaspiração.
6. Quanto à Agitação Psicomotora - APM... uma questão 100% clínica: INVESTIGAÇÀO é a resposta. O delírium está sempre relacionado a uma causa, na maioiria das vezes reversível, a qual deve ser adequadamente investigada e tratada. O uso de baixas doses de antipsicóticos e as vezes adicionado a um sedativo pode ser feito apenas enquanto se reverte o caso, com competência e segurança. Depois, suspensos.
7. Se há obrigatoriedade para um paciente com contenção ser acompanhado por um profissional de enfermagem.... sem argumentos para quem fala de ter poucos profissionais. Conter só exige mais equipe.
8. Com relação às famílias, também é fácil culpa-las. Claro que há negligência. Mas, na maioria das vezes, fruto de uma dinâmica familiar ou contexto cultural, que precisa ser avaliado e abordado com delicadeza e competência. Na maioria das vezes, contornável e reversível. Psicologia, Serviço Social e a cumplicidade de toda a equipe é fundamental, antes de se rotular uma relação familiar.
9. Não há argumentos, senão a necessidade de nos reunirmos, revermos valores e trabalharmos juntos por mudanças muito profundas na nossa rede de saúde.
10. E se o mundo faz errado... lamento... Também não é desculpa para deixarmos de lutar firmemente pelo correto, pelo ético e pelo digno para o paciente e para todos nós, profissionais. A mudança é cotidiana e começa no seu local de trabalho... JÁ!!
DIGA NÃO À CONTENÇÃO DE MÃOS!
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