Duas pessoas viveram juntas por 62 anos. No final da vida, aos 89 anos de idade, completamente lúcido, ele entra no Hospital com um único pedido: "Quero apenas tirar de mim esta dor! Por favor não façam nada que prolongue desnecessariamente a minha vida". E repetia com tanta convicção que na primeira hora no PS a equipe de Cuidado Paliativo foi acionada.
Um homem grande, de feições largas, emagrecido pelo câncer que se espalhava pelos ossos e trazia dor ao corpo todo. Há dias não conseguia comer de tanta dor. Há semanas se contorcia no leito, tentando em vão achar uma posição que lhe fosse mais favorável. Nada aliviava.
O alívio veio rápido. No dia seguinte, sem vestígios de dor, conversava muito. Falava com tranquilidade sobre a proximidade de sua morte e, de certa forma, trazia conforto a todos em sua volta.
Não usou sondas e permaneceu livre todo o tempo em seus últimos cinco dias de vida. As mãos gesticulavam com suavidade, acompanhando o ritmo da conversa pausada pelo cansaço.
No último dia, sem forças para falar e gesticular, agarrou-se à mão do seu amor.
Ela o acariciava com suas duas mãos e amparava a mão pesada, já se expressão. Estava partindo. Sem sondas, sem incômodos... com as MÃOS LIVRES!

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